O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) ligou para a
redação da sucursal de Brasília (DF) da revista IstoÉ, na tarde desta
quinta-feira (29), e ameaçou esbofetear o jornalista Hugo Marques por
conta de uma nota na edição de 21 de julho sobre o pedido de impugnação
da candidatura do político alagoano.
"Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu
filho da puta", vociferou Fernando Collor após explicar ao repórter o
motivo de sua ligação.
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Marques declarou que, ao constatar o
teor da ligação, desligou o telefone imediatamente. "Eu não queria ouvir
insultos e nem responder. Fico preocupado dele tentar arrancar alguma
agressividade minha. Se eu criar um conflito com ele, fico impedido de
cobrir. Então não falei nada", contou.
Sobre o fundamento das ameaças do ex-presidente - que concorre ao
governo de Alagoas -, Marques pontuou que os dados sobre a candidatura
de Collor estão no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Ele tem
que convencer a Justiça Eleitoral, não a mim".
Marques afirmou que não irá se manifestar contra Collor, tampouco
acionar entidades de classe, mas pontuou ser "lamentável" a atitude do
ex-presidente "em um regime democrático". "Não tenho nada contra ele,
mas é lamentável que um sujeito desses ligue para uma redação e ameace
uma pessoa. Ele poderia ter mais cautela, poderia respeitar os direitos
humanos".
De acordo com o repórter, Collor estaria desgostoso com a revista por
conta de outras matérias em que o político é citado. Sobretudo a
respeito de uma entrevista com sua ex-mulher, Rosane Malta, em que é
indicado como sonegador de impostos.
A respeito de um eventual encontro com o ex-presidente, Marques disse
não estar temeroso. "Sou faixa roxa de Karatê (risos)", afirmou. "Estou
há 22 anos denunciando bandidos de peso pesado e essa deve ser a décima
ameaça, e isso não me intimida", finalizou.
A reportagem tentou contato com o diretório nacional e regional do PTB e
com a coordenação de campanha de Collor e não obteve retorno. A
assessoria de imprensa de seu gabinete no Senado declarou que não tem
relação com as atividades do senador fora de seu mandato, e por isso não
poderia se pronunciar.
Fonte: da internet
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