Promotor condena nomeação de parentes de magistrados no Governo
30-Jul-2010
O promotor de Justiça de Jacaraú, Marinho Mendes, concedeu na noite
desta quinta-feira, 29, uma entrevista polêmica no programa Bastidores,
apresentado pelo Padre Albeni Galdino.
Ele
recriminou asnomeações de parentes de magistrados no Governo da Paraíba
e disse que o fato é uma forma de ingerência do poder executivo no
judiciário. Sem papas na língua, o promotor declarou:
- Os jornais falam disso. Eu não conheço nenhum, mas se existirem
parentes de magistrados empregados no poder executivo é uma forma de
ingerência e isso é eticamente incorreto. Eu não aceito. Quem
aceita um filho nomeado por um governador ou por um prefeito é alguém
que não tem compromisso com sua instituição e a mata. Um homem assim
tem que ser punido, ser redisciplinado. Eu sou profundamente contra. O
sociólogo Marcel Mauss escreveu um tratado sobre a dádiva. Quem recebe
uma dádiva, está comprometido. Ninguém te dá nada de graça. Ele quer
retribuição. Isso tira a independência. Quem dá um emprego para meu
filho, eu vou ver um processo dele com os mesmos olhos de quem eu nunca
vi na minha frente? Um desembargador desses teria que ser afastado,
reorientado e depois poderia voltar.
Marinho Mendes ainda comentou a situação da Segurança Pública no
Estado da Paraíba e disse que não aceitaria caso fosse convidado a
assumir a Pasta:
- Seria preciso trabalhar muito para refazer 500 anos de segurança
pública que não tem projetos - disse o promotor, citando um caso
pitoresco de seu município - O Governo comprou uma viatura bonita, mas a
Ranger é movida a gasolina. Temos dois policiais lá que levam a viatura
para Mamanguape para abastecer e são 36 quilômetros. Depois, voltam
para Jacaraú e andam mais 36 quilômetros. Já chega seco. A cota é de 20
litros por dia. Hoje segurança pública tem que ser com planejamento, com
projetos, com estudos, tem que chamar os cientistas políticos da UFPB.
Estive em um debate com o secretário de Segurança de Pernambuco. Ele é
um sociólogo. Me desculpe o pessoal do Direito, mas Direito só não
basta.
Ainda tratando de ingerência e recebimento de favores, Marinho Mendes
disse que desenvolve projetos em Jacaraú e chega a distribuir brindes
aos moradores que colaborarem com as iniciativas. Os brindes são
custeados pelo próprio promotor, que não aceita doações de comerciantes:
- A gente perde independência. É para o cara não dizer depois que eu o
denunciei, mas que recebi alguma coisa antes. Para não correr esse
risco, a gente não aceita. Como não aceito honrarias. Eu mando um
ofício, muito elegante, mas não aceito. E vejo gente com 300 títulos de
cidadão e me pergunto o que esse cidadão fez. É preciso ter consciência e
não andar atrás de títulos. Em Araçagi, me deram um título. Eu não
quis. No mesmo dia, deram um título a um policial que foi expulso. A
vaidade é a chave para a corrupção!
Vejo gente com 300 títulos de cidadão e me pergunto o que esse cidadão
fez. É preciso ter consciência e não andar atrás de títulos